Contexto do Enredo: Um Retorno às Raízes
Após um ano de 2025 marcado por um desempenho insatisfatório, com a escola de samba Império de Casa Verde ocupando uma modesta décima primeira posição, a agremiação entra em 2026 embalada por um novo espírito de renovação. O enredo deste ano, intitulado “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”, é uma criação do carnavalesco Leandro Barboza. Este tema é uma homenagem a tradições e histórias que muitas vezes são deixadas de lado nos grandes desfiles e celebra a rica herança cultural das comunidades afro-brasileiras. Ao abrir o sábado do Grupo Especial, o Império de Casa Verde retoma uma tradição de destacar grupos minoritários, buscando fortalecer sua imagem e conexão com suas raízes.
Dona Fulô: A Narradora do Enredo
Um aspecto interessante do enredo é a figura de Dona Fulô, que emerge como a narradora central da história. O carnavalesco Leandro Barboza, junto com Tiago Freitas, começou a moldar essa narrativa a partir de uma exposição em Salvador que abordava as joias negras e seus significados. A figura de Dona Fulô, cujos traços históricos são explorados no desfile, não é apenas uma representação, mas sim um elo vivo com a tradição da joalharia afro-brasileira. Leandro revela que esta escolha se deu após discutirem a ideia com um amigo que os inspirou a pesquisa sobre a relevância dos balangandãs, artefatos que simbolizam riqueza e espiritualidade.
Desenvolvimento Temático com Pesquisas Aprofundadas
O aprofundamento na pesquisa foi uma etapa crucial na construção do enredo. Tiago Freitas destaca que, ao visitar a exposição “Dona Fulô e Outras Joias Negras” no Museu de Arte da Bahia, as ideias começaram a se cristalizar. Nesse ambiente, ele sentiu que Dona Fulô seria a condutora da narrativa, semeando todo o contexto histórico e cultural ao longo do desfile. Assim, o desenvolvimento do tema transcendeu os balangandãs, envolvendo um olhar abrangente sobre a cultura afro-brasileira e suas tradições ocultas.

A Estrutura do Desfile em Cinco Setores
A fim de contar essa rica história de forma coesa, o desfile foi dividido em cinco setores distintos, cada um representando um aspecto essencial da narrativa:
- Setor 1: A comissão de frente apresenta Dona Fulô num sonho repleto de simbolismo.
- Setor 2: As joias são apresentadas como amuletos espirituais, conectando os indivíduos a suas ancestrais.
- Setor 3: Aqui, as riquezas são mostradas como cofres ancestrais integrados ao corpo.
- Setor 4: As joias simbolizam a interseção entre a espiritualidade Afro e o catolicismo, incorporando rezas e batuques.
- Setor 5: O setor final evidenciará as joias como um sinal de liberdade, ressaltando as profissões que garantiram autonomia às mulheres.
Desafios Enfrentados na Criação do Enredo
Ao longo do desenvolvimento do enredo, um dos principais desafios foi encontrar formas inovadoras de apresentar os balangandãs sem que a história se tornasse repetitiva. Tiago Freitas comentou que o objetivo foi garantir que o desfile oferecesse uma experiência fresca tanto para o público quanto para os jurados. Para isso, buscou-se desdobramentos narrativos que quebrassem a expectativa da mera apresentação de ouro, introduzindo elementos visuais variados que mantivessem a atenção do espectador.
Cores e Materiais: Ouro, Prata e Pedras Preciosas
Em relação à paleta de cores e aos materiais utilizados, Leandro enfatizou que o desfile será marcado por uma forte presença do dourado, representando cerca de 80% do figurino. No entanto, haverá também um setor dedicado à prata e a inclusão de pedras preciosas, especialmente em tons de azul. Outra inovação será a utilização de acetato e metais, elementos que não eram comuns na estética anterior do Império.
A Importância dos Ourives na Joalheria Brasileira
Os ourives fazem parte essencial da história que o enredo traz à tona. Ao explorar a trajetória dos trabalhadores clandestinos que criaram joias durante o período da escravidão, o desfile não apenas destaca a beleza das peças, mas também a história de resistência e conquista por trás delas. Esse aspecto do enredo reforça como a joalheria brasileira tem raízes profundas na cultura afro-brasileira.
A Relação da Comunidade com o Enredo
A conexão da comunidade do Império de Casa Verde com o tema é profunda. O bairro é conhecido por ser um dos mais representativos da presença negra em São Paulo, o que faz com que a escola de samba sinta a responsabilidade de representar essa identidade de forma genuína. De acordo com os integrantes da agremiação, a adesão da comunidade ao enredo foi imediata, criando uma sinergia poderosa entre os participantes e a narrativa.
Expectativas para o Desfile de 2026
Com o desfile se aproximando, as expectativas são altas. Tanto Leandro quanto Tiago estão otimistas quanto à recepção do público. Eles acreditam que este desfile não apenas contribuirá para a trajetória do Império, mas também servirá como um ponto de reflexão sobre a importância da cultura afro-brasileira e o papel da comunidade na manutenção de suas tradições. A proposta é que o enredo ecoe de forma significativa com o público, deixando uma marca duradoura na memória de todos.
Promessas de Surpresas e Emocionantes Performances
Por fim, Leandro finaliza: “Os espectadores podem esperar um Império triunfal, que traz emocionantes performances e um desfile que vai brilhar tanto em visual quanto em conteúdo.” Além disso, acrescenta que a comissão de frente será uma grande aposta, juntamente com a bateria que características marcantes, e o fechamento do desfile contará com a presença da Velha Guarda e figuras simbólicas da comunidade. Tiago destaca que a conexão entre o começo e o fim do desfile simboliza a luta e o sonho de liberdade, reafirmando que o que foi silenciado na história será respeitosamente revelado na Avenida.
