Escolas de samba desfilam pela 2ª noite em São Paulo

Abertura mágica com o Império de Casa Verde

O Império de Casa Verde foi a primeira agremiação a brilhar na segunda noite de desfiles no Sambódromo do Anhembi, apresentando o enredo “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”, que homenageou a figura icônica de Dona Fulô. A performance da escola conquistou os espectadores com sua riqueza cultural e simbólica.

No entanto, um incidente ocorrido durante o desfile chamou atenção. Uma das integrantes da Ala das Baianas enfrentou problemas de saúde e, em resposta, tanto o corpo de bombeiros quanto alguns membros da audiência preocuparam-se e rapidamente prestaram socorro. Apesar desses contratempos, o Império de Casa Verde finalizou sua apresentação dentro do tempo limite, livrando-se de qualquer preocupação com a apuração final.

Em uma entrevista concedida à CNN Brasil, o diretor de Carnaval, Rogério Figueira, conhecido como “Tiguês”, revelou detalhes sobre a escolha do samba-enredo. Segundo ele: “A necessidade de um tema mais popular e afro levou-nos a ressaltar as primeiras mulheres empreendedoras da época, aquelas que conseguiram comprar sua própria alforria e a liberdade de seus semelhantes. Este foi um movimento de coragem e sabedoria, e felizmente conseguimos um tema que ressoou no público”.

escolas de samba

Águia de Ouro: uma homenagem a Amsterdã

Em seguida, a Águia de Ouro enviou uma explosão de energia à avenida, fazendo referência à cidade de Amsterdã, a capital da Holanda. Com o refrão de seu samba-enredo, “Não me interpretem mal, eu vou me jogar de vez neste Carnaval”, a escola antecipou a atmosfera de celebração que tomou conta do Anhembi.

O samba-enredo tornou a cidade europeia um símbolo de liberalidade em seus costumes e estilo de vida, abordando temas como sexualidade e a famosa cultura da maconha. O desfile também foi embelezado por girassóis, que estavam presentes em carros alegóricos e nas belas fantasias das baianas, colorindo o sambódromo de uma aura vibrante e contagiante.

Mocidade Alegre celebra Léa Garcia

A terceira agremiação a entrar na passarela foi a Mocidade Alegre, que rendeu homenagens à lendária atriz Léa Garcia, falecida em 2023. Reconhecida por seu papel significativo na luta contra o racismo e pela representação da cultura negra no Brasil, Léa foi lembrada com uma apresentação que priorizou a memória e as contribuições de seu trabalho ao longo da carreira.

Os carros alegóricos e a bateria, sob a batuta do aclamado Mestre Sombra, foram responsáveis por agitar o público, que vibrou intensamente durante cada momento do desfile. Um dos carros alegóricos, com impressionantes 13 metros de altura, retratou a figura de Iemanjá, utilizando 10 mil litros de água, criando um efeito surpreendente e visualmente deslumbrante. A médica e ex-BBB Thelma Assis, que desfilara à frente, não apenas refletiu a artista homenageada, mas também trouxe um toque de glamour ao evento.

Gaviões da Fiel: defesa do meio ambiente

Logo em seguida, a Gaviões da Fiel desfilou com um enredo focado na defesa do meio ambiente, homenageando as raízes e cultura indígena do Brasil. Na comissão de frente, um transe xamânico foi apresentado, conectando-se ao tema de proteção ambiental. Curiosamente, a escola optou por evitar o uso da cor verde, tradicionalmente associada ao rival Palmeiras, mas criou um efeito iluminado que evocou a vegetação de maneira brilhante.

Um destaque notável foi o tremendo abre-alas, medindo 72 metros, que simbolizou “o tempo dos sonhos”, trazendo à vida um imponente jacaré e o emblemático gavião da escola. O desfile também trouxe mensagens sobre o desmatamento, representando o gado como agente desse problema e reforçando a urgência das questões ambientais na sociedade atual.



Estrela do Terceiro Milênio e a criatividade de Paulo César Pinheiro

A Estrela do Terceiro Milênio apresentou uma emocionante homenagem ao cantor e letrista Paulo César Pinheiro. Na comissão de frente, foram reencenadas figuras icônicas, incluindo Clara Nunes, que figurou no contexto de sua vida. O momento de maior destaque durante o desfile foi a bateria, que encantou o público com sua energia vibrante e ritmo contagiante.

Um dos carros alegóricos projetados pelo estúdio da escola apresentou 34 metros de extensão, com espetaculares 15 metros de altura, além de mais de mil luzes estroboscópicas. Essa estrutura grandiosa fez com que a audiência não apenas admirasse a beleza do desfile, mas também sentisse a criatividade caracterizada por Pinheiro, que se inspirava em formas diversas, incluindo as nuvens, ao criar suas letras.

Tom Maior apresenta Chico Xavier

A Tom Maior fez um tributo ao notório médium Chico Xavier, trazendo uma narrativa visual que conseguiu emocionar o público. Os elementos cenográficos incorporaram figuras de xamãs, além de estruturas que remetiam a ossadas de dinossauros, combinando misticismo e história. O abre-alas, cheio de mais de 60 componentes vestidos com trajes escuros, representou o auge do desfile.

A apresentação, no entanto, enfrentou um contratempo técnico devido a problemas com os geradores, que resultaram na interrupção das luzes de um dos carros alegóricos. Esse incidente, relacionado ao tema indiano, pode ter implicações na avaliação final da escola. Apesar disso, a performance da bateria, originária do Sumaré, foi um dos maiores destaques, engajando o público com sua apresentação contagiante.

Camisa Verde e Branco fecha a noite com desafios

Por fim, a Camisa Verde e Branco colocou um ponto final na noite de desfiles com o enredo “Abre Caminhos”. A escola, vinda da Barra Funda, enfrentou desafios durante a apresentação, como problemas na evolução e questões com a estética visual do desfile. O desafio culminou em um incidente onde o último carro alegórico ficou preso na lateral da pista, criando uma descontinuidade entre ele e a ala à frente.

Além das penalidades relativas à evolução, o tempo de desfile da Camisa Verde e Branco ultrapassou o limite permitido, resultando em 66 minutos de apresentação. Com isso, a escola começará a apuração da próxima terça-feira com uma penalização de 0,3 pontos, o que pode impactar o resultado geral.

A importância do samba-enredo para cada escola

Cada agremiação tem sua própria história e identidade, refletida através de sua escolha de samba-enredo. O samba-enredo é o coração pulsante que permite às escolas contar suas narrativas com estilo, ritmo e cores vibrantes. Em cada desfile, os sambas encarregam-se de resgatar tradições, homenagear figuras icônicas e abordar temas relevantes da sociedade.

A atmosfera contagiante do Carnaval de São Paulo

O Carnaval de São Paulo, em sua essência, transcende o simples desfile de escolas de samba. É um momento de celebração, onde a cultura, a música e a dança se encontram em uma sincronia perfeita. O Sambódromo do Anhembi se transforma em um espaço mágico, onde as emoções estão à flor da pele e as arquibancadas vibram com a energia contagiante das apresentações.

Expectativas para as próximas noites de desfiles

Com a realização de mais noites de desfiles e a promessa de apresentações ainda mais grandiosas, as expectativas são altas. O espírito de rivalidade e confraternização entre as escolas faz com que cada agremiação busque inovação, ousadia e a melhor performance possível, criando um, ambiente perfeito para que os amantes do carnaval possam desfrutar de um espetáculo inesquecível.



Deixe seu comentário