Escolas de Samba de São Paulo: Temáticas de Força Feminina e Ancestralidade
O Carnaval de São Paulo, programado para 2026, promete ser um verdadeiro espetáculo de cor e cultura, com várias escolas de samba do Grupo Especial trazendo enredos que destacam elementos afro-brasileiros. Escolas como Mocidade Unida da Mooca, Barroca Zona Sul, Império de Casa Verde, Mocidade Alegre e Camisa Verde e Branco apresentarão histórias que exaltam a força das religiões de matriz africana, as vivências de mulheres negras e a rica herança dos povos indígenas.
As apresentações acontecerão nos dias 13 e 14 de fevereiro, no icônico Sambódromo do Anhembi. Os enredos abordam temas como memória, luta social, espiritualidade, cultura e figuras históricas, contribuindo para um carnaval repleto de significados e tradições.
Mocidade Unida da Mooca: Enredo sobre Mulheres Negras
A Mocidade Unida da Mooca apresentará o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin“, que destaca o Instituto Geledés e reconhece o importante papel das mulheres negras. Com o trabalho do carnavalesco Renan Ribeiro e da enredista Thayssa Menezes, o desfile contará com quatro alegorias e a participação de aproximadamente 2 mil componentes, distribuídos em 19 alas.

Destacando figuras como Sueli Carneiro e Conceição Evaristo, a escola busca relacionar o conceito de Geledés com a luta e organização de mulheres negras. O desfile ocorrerá na noite de 13 de fevereiro, prometendo ser um grande tributo à resiliência e à luta feminina.
Dragões da Real e a Força das Icamiabas
A Dragões da Real, que desfila na madrugada de 13 para 14, levará ao sambódromo o enredo “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência“. Sob a criação do carnavalesco Jorge Freitas, a narrativa apresenta as Icamiabas, mulheres indígenas que viveram ao longo do Rio Amazonas, em uma sociedade matriarcal.
Esse tema busca destacar a força e a organização social feminina por meio do exemplo dessas guerreiras, ligando sua resistência passada à luta atual dos povos indígenas para preservarem suas terras e culturas frente à destruição da Amazônia.
Barroca Zona Sul Exalta o Orixá Oxum
A Barroca Zona Sul, fechando a primeira noite de desfiles, apresentará o enredo “Oro Mi Maió Oxum“. Com a direção do carnavalesco Pedro Alexandre Magoo, a proposta é celebrar Oxum, a orixá das águas doces, fertilidade e amor, ressaltando sua essência materna e acolhedora.
O desfile será um ritual que homenageia a figura de Oxum, oferecendo um espaço de alento e resistência no meio da folia.
Império de Casa Verde: Homenagem às Escravas de Ganho
O Império de Casa Verde chegará com um enredo impactante: “Império dos Balangandãs – Joias Negras Afro-Brasileiras“. Este enredo homenageia as mulheres escravizadas chamadas de ganho e a representação dos balangandãs como símbolos de proteção, identidade e status.
Dona Fulô, uma mulher que ganhou sua liberdade e prosperou no comércio de jóias, será utilizada como figura central para ressaltar a construção de patrimônio e autonomia das mulheres negras ao longo da história.
Mocidade Alegre e o Tributo a Léa Garcia
Às 00h40 do sábado, a Mocidade Alegre prestará uma homenagem a Léa Garcia com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra“. A escola exaltará o legado da atriz e seu papel essencial na dramaturgia brasileira, lembrando sua contribuição para a representação negra nas artes.
Léa Garcia, famosa por seus papéis em várias produções televisivas, é definida como uma “malunga”, uma companheira de luta, simbolizando a luta contínua contra os estereótipos impostos a artistas negros.
Gaviões da Fiel Defende a Floresta e os Povos Indígenas
Às 01h45, a Gaviões da Fiel trará para a avenida o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã“. Os carnavalescos Rayner Pereira e Júlio Poloni criarão uma narrativa que explora a luta dos povos indígenas, utilizando a lenda da Yakoana como um tema central.
A apresentação destacará a espiritualidade indígena e a importância da preservação ambiental, abordando a sabedoria ancestral em um contexto contemporâneo de mudanças climáticas e defesa dos direitos indígenas.
Camisa Verde e Branco Celebra Exu
Fechando os desfiles do Carnaval paulista, às 05h, a Camisa Verde e Branco dará destaque a Exu no enredo “Abre Caminhos“. A proposta é explorar as diversas manifestações da deidade, a construção de seus cultos no Brasil e homenagear o “povo de rua”, figura que representa o guardião das encruzilhadas e dos caminhos.
Além de desmistificar a figura de Exu, o desfile conectará a espiritualidade da entidade com as lutas sociais contemporâneas, buscando criar um elo de empoderamento e sabedoria.
Desfiles no Anhembi: Uma Mistura de Culturas
Os desfiles no Sambódromo do Anhembi são um forte reflexo da diversidade cultural brasileira, com cada escola contando sua própria história por meio de um espetáculo de dança, música e arte. O Carnaval 2026 não será apenas uma celebração; será uma afirmação de identidade, resistência e renovação das tradições afro-brasileiras.
A Importância da Memória e da Identidade
Durante o Carnaval, os enredos apresentados atuarão como um meio de reviver memórias e reforçar a identidade cultural dos grupos que compõem a sociedade brasileira. Outros elementos simbólicos estarão interligados, e a presença de figuras históricas fortalecerá a mensagem de que a luta por reconhecimento e valorização continua viva.
O Papel das Escolas de Samba na Sociedade
As escolas de samba desempenham um papel crucial na sociedade, não apenas no contexto do Carnaval, mas ao longo do ano. Elas promovem cultura, história e identidade, servindo como plataformas para a arte e para a conscientização social. As narrativas trazidas pelos desfiles ecoam a luta por justiça e igualdade, celebrando a diversidade enquanto educam o público sobre as histórias de resistência e resiliência.

